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Carta Aberta da APCF - Quercus PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Pedro Leitão   
Domingo, 28 Junho 2009 09:29

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Face às declarações proferidas por um membro da quercus no telejornal da tarde na RTP (visualizar declarações - minuto 15 e 15 segundos) , no dia 26 de Junho de 2009, a APCF fez chegar até à associação em causa a seguinte carta:

 Exmos. Senhores,

Foi com muito desagrado que ontem pudemos ver as declarações de alguém do vosso grupo (não identificado na reportagem), no telejornal da tarde, RTP,

dia 27 de Junho de 2009. Estamos a escrever porque sentimos que, depois do grande esforço que fazemos para educar os pescadores desportivos (por exemplo, nas actividades da nossa associação fizemos várias limpezas de barragens, actividades com gente nova para os sensibilizar para a protecção da natureza) , a imagem que se faz passar da pesca desportiva é totalmente inadequada em relação às suas regras e práticas actuais, a começar por aquilo que defendemos e praticamos na APCF relativamente à pesca moderna à carpa (Carp Fishing).

Eu sigo o trabalho da Quercus com toda a atenção e respeito, tanto é assim que muitos dos vossos conselhos têm-se tornado prática em minha casa e entre os meus amigos... Daí a minha grande surpresa ao ouvir as vossas declarações. Não acreditamos que tenham pescadores desportivos entre a vossa equipa, caso contrário não se teria dito ontem o que foi dito para milhões de portugueses. Não considero que mais ninguém ame mais a natureza do que cada um dos nossos sócios. Além disso nutrimos um grande amor pelas carpas e lutamos pela pesca sem morte de todos os peixes, há vários anos.

Outro aspecto grave que foi tratado, e que, de forma geral, tem sido tratado erradamente pelos ecologistas – até do ponto de vista científico – é a posição perante as chamadas “espécies invasoras e exóticas”, entre as quais se incluem a carpa, o achigã, o lúcio e o lúcio-perca (Sandro), entre outras.

Enviamos em anexo um texto que escrevemos aquando da publicação de um documento do ICBN, com o qual estamos em completo desacordo, no que diz respeito ao estatuto do achigã e da carpa, bem como em relação a algumas medidas mitigadoras propostas, no sentido da sua erradicação/controle. Enviamos o link da nossa petição contra essas regras e medidas, que nos parecem inadequadas e destituídas de fundamento relativamente à carpa e ao achigã. Uma das razões fundamentais prende-se com o facto de estarmos perante ecossistemas artificializados e não selvagens.

No entanto, consideramos adequado e louvável e apoiamos medidas de carácter positivo e construtivo, como os projectos de repovoamento de espécies autóctones. Em vez de erradicar espécies como a carpa e o achigã, que têm um valor económico, humano e desportivo incalculável, o que se devia fazer era apostar em repovoamentos de espécies autóctones, mesmo tenda em conta que o seu habitat originário não são as águas paradas de grandes lagos artificiais (o ecossistema dominante em Portugal), mas as águas correntes de rios.

 

Esperamos que, daqui para o futuro, a Quercus tenha mais cuidado com as declarações sobre a pesca desportiva e com a proposta de medidas de erradicação de espécies que estão há mais de 500 anos em Portugal, não sendo, realmente, a causa para o declínio e extinção de espécies nativas.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Pedro Miguel Santos Leitão

Presidente da Associação Portuguesa de Carp Fishing

 

 

 

Actualizado em ( Quarta, 02 Setembro 2009 19:56 )
 

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