Historial

OITO ANOS A LUTAR PELO CARP FISHING

Há oito anos, um grupo inconformado de carpistas juntou-se para criar uma associação autónoma que desse voz aos anseios e aspirações dos praticantes da modalidade em Portugal. Assim nasceu a APCF, Associação Portuguesa de Carp Fishing. Em boa hora surgiu. Apesar das dificuldades enfrentadas, reforçámos a nossa convicção inicial de que, no sector da pesca desportiva – tal como em outro qualquer – não há melhor maneira de lutar por mudanças senão através de um esforço organizado e institucionalmente enquadrado numa associação. Sozinhos e isolados – por mais bem intencionados e valorosos que sejamos – não teremos grande influência ou peso na transformação dos constrangimentos e limitações que, em vários aspetos (bem conhecidos por todos), ainda afectam a prática do Carp Fishing em Portugal. Ao fim destes anos, acreditamos que a chave para a resolução dos nossos problemas está no associativismo. É a trabalhar em conjunto, por todo o país, de forma organizada, em prol de objectivos e projectos comuns, que poderemos fazer a diferença. Esse tem sido o espírito e a motivação da APCF. Sabemos que desse modo, embora não seja fácil, será possível mudar a situação do carp fishing em Portugal.

Assim sendo, o balanço destes sete anos é francamente positivo, apesar dos impasses, dificuldades e fracassos que enfrentámos. A A.P.C.F. orgulha-se de tudo o que fez, com escassos recursos financeiros e sem subsídios, em prol do desenvolvimento, da promoção e da divulgação da modalidade de carp fishing, bem como da melhoria das condições para a sua prática. Neste âmbito, a A.P.C.F. tem concentrado os seus esforços na mudança de três vertentes fundamentais, que continuam a ser prioritárias no quadro dos seus objectivos estratégicos: As leis, as mentalidades e os locais de pesca (procurando criar e gerir massas de água adequadas, em todos os aspetos, para a prática da modalidade, quer públicas, quer privadas). Nestes três domínios, em que a situação portuguesa é talvez uma das mais desfavoráveis da Europa, a A.P.C.F. – a despeito de ser uma associação de dimensão modesta – não se limitou a criticar a situação e a protestar, não foi apenas mais uma voz no “muro das lamentações” carpistas. A A.P.C.F., graças ao esforço generoso dos seus associados, “meteu as mãos na massa” e realizou obra concreta e pioneira.

A A.P.C.F. conseguiu, através de um protocolo de requalificação reconhecido e apoiado pelas autoridades, celebrado em 2012, criar o primeiro lago cooperativo privado da península ibérica e obter, junto do ICNF e do governo português, uma autorização de repovoamento do mesmo. Um velho sonho transformava-se, assim, em realidade!
Envolveu-se, a fundo, em parceria com a FPPD, o governo, o ICNF, numa negociação construtiva para a mudança de lei de pesca; neste âmbito, na sequência de várias petições e intervenções feitas, junto das autoridades e no espaço público, ao longo destes sete anos, apresentou uma proposta de lei inovadora, que, a ser aceite, mesmo parcialmente, pode implicar uma mudança histórica no enquadramento legal do Carp Fishing em Portugal, contribuindo para a revolução carpista.

Mas, no campo da mudança de mentalidades e atitudes, não podemos esquecer, tudo o que fizemos – em modelos inovadores e inéditos – em termos de actividades de divulgação e promoção da modalidade, das suas regras de respeito pelo ambiente e pelos peixes. Os nossos Workshops e Convívios, abertos e gratuitos, um modelo alternativo e mais simples, de divulgação da modalidade para todos os públicos, incluindo crianças, lançaram uma moda que veio para ficar.
As várias acções de limpeza realizadas nas margens de albufeiras provaram que não nos limitávamos a defender, em palavras e em teoria, que os carpistas e demais pescadores desportivos devem preservar o ambiente. As palestras de esclarecimento com recursos audiovisuais apresentadas perante autarcas, estudantes e investigadores universitários, tentaram dar a imagem correcta do carp fishing, esclarecendo o seu valor ambiental, desportivo e até turístico. Algo que nunca tinha sido feito antes.

O contributo no âmbito das publicações escritas também deve ser relevado; sobretudo, hoje em dia, em que, felizmente, os artigos escritos em língua portuguesa, por carpistas e para carpistas portugueses, são cada vez mais numerosos em todo o tipo de suportes. Convém recordar que, na altura em que começámos a colaborar na imprensa, só se podia ler artigos sobre carp fishing em revistas francesas, espanholas e inglesas que íamos encontrando por acaso, além dos artigos traduzidos do castelhano que foram aparecendo nas revistas de pesca portuguesas. Alguns dos nossos sócios tomaram assim contacto, pela primeira vez, com o carp fishing e decidiram experimentá-lo.
A A.P.C.F. mudou radicalmente este cenário. Graças ao trabalho voluntário dos seus sócios, nunca se publicou tanto sobre carp fishing, a um ritmo quase mensal, nas revistas portuguesas de pesca desportiva que já existiam ou foram surgindo: Mundo da Pesca, Mais Pesca e O Pescador. Desde relatos e reportagens sobre provas, sessões de pesca e convívios até artigos de natureza mais técnica sobre cuidados com o peixe, fotografia, estratégias de pesca, montagens, iscos e até artigos de natureza política sobre a situação do carp fishing, de tudo um pouco foi publicado. Ao contrário do que sucedia antes, o Carp Fishing passou a estar representado regularmente nas revistas com artigos de carpistas nacionais. Em termos quantitativos o balanço é impressionante e ultrapassa já, e muito, a centena de artigos publicados.
Os seis Enduros APCF Carp Adventure até agora realizados – sendo este um meio clássico de divulgação da modalidade e de fomento do convívio entre carpistas de todo o país – também vieram animar o panorama das competições da especialidade. Não só porque tiveram lugar em barragens de todo o país, de norte a sul – algumas que nunca tinham sido palco para uma competição deste tipo – como também pelo facto de se regularem por regras inovadoras (a dimensão dos exemplares e não o peso total das capturas).

Em conclusão, perante este rol de realizações e conquistas e outras mais que seria fastidioso enumerar, apesar das dificuldades e problemas enfrentados, que muito nos ensinaram e amadureceram, só temos motivos para estar orgulhosos e celebrar, com alegria, o sétimo aniversário da nossa Associação Portuguesa de Carp Fishing, a única associação do género em Portugal. Por alguma razão, os nossos vizinhos e irmãos espanhóis, muito mais numerosos e mais desenvolvidos na modalidade, decidiram criar uma associação congénere. Estamos convictos que a A.P.C.F., embora nem sempre seja compreendida, fez, no essencial, o que devia fazer. Assim deve continuar, tentando corrigir o que correu menos bem e aprendendo com os erros e insucessos. Por alguma razão é hoje uma associação credível e respeitada junto de diversos parceiros institucionais de relevo.
Contudo, a valorização dos nossos sucessos até ao presente não deve levar-nos à acomodação e à inércia, a descansar sobre os louros. Antes pelo contrário. Atendendo aos desafios e projectos de futuro em que estamos envolvidos – que devemos consolidar, em nome de um futuro mais radioso para o carp fishing – a nossa responsabilidade é agora ainda maior: devemos estar à altura da nossa própria história, de um legado inquestionável. Fazemos um apelo sincero a todos aqueles que partilham as nossas causas: juntem-se a nós para construir, neste presente, o futuro do Carp Fishing em Portugal. Juntos seremos mais fortes e poderemos fazer a diferença, trazer a mudança tão esperada por todos!